A tecnologia, hoje em dia, está em todo o lado. Podes encontrá-la em tua casa, na rua e até mesmo no trabalho.
Talvez até trabalhes numa empresa de tecnologia como account, gestor de projeto, designer, marketeer, ou até mesmo como alguém que não desenvolve qualquer tipo de código ativamente, ou não tem qualquer conexão com o ciclo de desenvolvimento de uma aplicação ou website, mas, de alguma forma, ainda te cruzas com alguns produtos da tua empresa e tens a oportunidade de os experimentar.
Enquanto te fazem um pequeno resumo do que é o produto, se tu tens, pelo menos, um dos seguintes comportamentos, podes ser mais tester do que imaginas.

1. “Porque é que não consigo fazer isto de novo?”

Imaginemos que pões as tuas mãos numa aplicação de telemóvel que a tua empresa esteve a desenvolver e a fazer a sua manutenção durante anos.

Tens uma ideia básica daquilo que é suposto ela fazer, mas nunca tiveste realmente oportunidade de a usar completamente, tendo apenas utilizado em pouco e breves momentos. Mas, agora, tiveste a tua oportunidade e estás a mexer na aplicação.

Começas por navegar na aplicação, rodas o telemóvel para ver se a app suporta a orientação horizontal, e enquanto o fazes, clicas num botão de um formulário e a aplicação faz crash. Paras por uns segundos e tentas perceber o que aconteceu, tentar refazer todos os teus passos e voltas a dar uma oportunidade.

Fazes uma vez, duas, três e não consegues crashar a app de novo. Começas a questionar-te “mas porque é que eu não consigo fazer isto de novo? Não foram estes os passos que eu tinha feito?”. Se fazes isto, podes ser mais tester do que imaginas.

2. Uma visão do futuro

Accounts, gestores de projeto e até designers trabalham bem de perto com programadores em certos ambientes. Isto significa que estão expostos a muita informação sobre o projeto, que pode ir de funcional a técnica ou até feedback de colegas acerca do projeto.

Então: inseres-te numa destas categorias, sabes muito sobre o projeto, como deve trabalhar, mas nunca o testaste. Ainda nem sequer entraste na aplicação, mas já tens toda esta informação na cabeça. E talvez estejas a fazer uma caminhada, fazer as compras da semana, a lavandaria e enquanto fazes essas coisas em modo piloto automático, começas a processar toda a informação que sabes do projeto, juntas uma coisa a outra e encontras um cenário que te pode levar a um desastre virtual, um possível crash e sentes a necessidade de alertar toda a gente. Se fazes isto, podes ser mais tester do que imaginas.

3. Quando encontras uma nova forma de testar a aplicação

Por vezes, devido ao tamanho ou dimensão da tua empresa, ou até mesmo do projeto em si, não há nenhum tester dedicado, não há nenhum departamento de Quality Assurance. Isto significa que testar é da responsabilidade de todos os envolvidos, tecnicamente ou não.

Talvez sejas a pessoa responsável pelas atividades de marketing do projeto e, ocasionalmente, fazes alguns testes na aplicação e, a cada dia que passa, ficas mais e mais habituado à aplicação e consegues quase adivinhar o resultado de um cenário de teste específico, apenas por já teres feito tantos outros testes na aplicação.

Um dia, começas a pensar em todos os cenários de teste que tens feito e, enquanto o fazes, descobre que um cenário específico que tens estado a testar, pode ser expandido a cada nova atualização. Isto deixa-te ansioso, a querer saber se esta expansão, ou este novo cenário te pode pode levar a um bug crítico, ou apenas saber para onde é que estas tocas de coelho vão. Se fazes isto, podes ser mais tester do que imaginas.

4. “Devíamos atrasar a entrega”

Os programadores são muitas vezes os melhores testers, não porque são pessoas bem informadas e proficientes no uso da tecnologia moderna, mas porque há uma característica comum entre testers e programadores, que é o entusiasmo pelo desafio.

Como programador, és constantemente desafiado a construir projetos do zero e como tester, és constantemente desafiado a esmiuçar o projeto, para encontrares alguma agulha perdida no palheiro.

Digamos que és o programador de um determinado website e também fazes alguns testes, não apenas porque queres garantir que o que vais entregar está perfeito, mas também porque te preocupas com o projeto e gostas de ajudar, ao fazer os ditos testes.

Tu sabes exatamente como é que o website deve funcionar e como é que ele realmente funciona e, por isto, quando uma entrega está próxima e encontras um bug que não consegues voltar a reproduzir, começas a entrar ligeiramente em pânico, vai ter com o gestor de projeto e dizes: “Olá, encontrei um bug. Mas não o consigo reproduzir. Se calhar devíamos atrasar a entrega.” Se fazes isto, podes ser mais tester do que imaginas.

5. Nenhum resultado é bom o suficiente

Neste ponto, não interessa qual é o papel que tens no projeto ou como é que acabaste por testá-lo. Não interessa se é uma aplicação desktop, um website ou até mesmo uma app “wearable”, simplesmente não interessa.

O que interessa é que quando estás a testar a aplicação, encontras sempre alguma questão, seja ela de usabilidade, performance ou segurança. Estás sempre insatisfeito com alguma coisa acerca da aplicação que estás a testar.

Isto significa que nenhum resultado é bom o suficiente, pensas sempre 3, 5, 10 passos à frente e consegues justificar o porquê de não estares satisfeito com algo e, frequentemente, é-te dada razão. Se fazes isto, podes ser mais tester do que imaginas.

Conclusão

Toda a gente é tester, mesmo se fores alguém que faz download de algumas apps ou jogos a App Store ou Google Play só para os experimentar, ou alguém que gosta de estar sempre em contacto com as práticas correntes de desenvolvimento web e estás sempre à caça de novas soluções.

A verdadeira questão é: quanto tester és tu? Porque é que simplesmente não testas isso?