“If people aren’t talking about you, they’re not talking about you for a reason. And the reason isn’t that they dislike you. They’re not talking about you because you’re boring.” – Seth Godin

Tendo em conta a quantidade de indústrias que existem (e que continuam a nascer), é claro que nem todas vão ser tão entusiasmantes e fun como a Coca-Cola, a Nike ou a Apple. Mas isso não significa que o marketing de conteúdos não devia ser um investimento das marcas destas indústrias mais “aborrecidas”. Não ser convencionalmente cool não é razão para não se investir no digital. Quanto muito, deve inspirar-vos: se conseguirem fazê-lo da maneira certa, é uma oportunidade ótima para se destacarem dos vossos concorrentes. Criando conteúdo entusiasmante a partir de um tema mais… chato, é mais provável que até pessoas que não fazem parte do vosso target fiquem a conhecer o vosso nome e, quem sabe, até partilhem publicações vossas nos seus perfis. E quem não gosta de receber partilhas?

De aborrecido a cool

  1. Mindset certo
    Este passo não é técnico nem requer conhecimento sobre marketing digital, mas se vamos fazer isto, que seja com o mindset certo. Não se esqueçam de que aquilo que vos parece aborrecido pode ser (e provavelmente é) interessante para outra pessoa. A vossa marca é muito mais do que o(s) produto(s) ou serviço(s) que vendem! Para além disso, com mais de 7 biliões de pessoas no mundo… temos quase a certeza de que existe um grupo de pessoas interessadas naquilo que a vossa marca tem para dizer.
  2. As pessoas ouvem os peritos… tornem-se num
    Obviamente, vocês conhecem a vossa indústria. Mas para que o vosso nome seja reconhecido no vosso nicho e visto como uma referência, “conhecer” não é suficiente. Porque o mais provável é existirem x outros concorrentes que também “conhecem”. Têm de se tornar especialistas, estarem cientes dos problemas do vosso cliente ideal e serem capazes de os resolver. Assim, é mais provável os leitores voltarem para ler o vosso conteúdo.
  3. Sejam criativos e mostrem a personalidade da vossa marca
    Demonstrar que sabem aquilo de que estão a falar é ótimo. Mas o humor e a leveza são igualmente poderosos. Se encontrarem uma maneira que faça sentido para a vossa marca, sejam fora do comum. Sejam divertidos. Sejam controversos (dentro dos limites e SÓ se, e quando, fizer sentido). NÃO falem apenas do vosso produto – torna-se aborrecido. Claro, querem vender o vosso fio dentário, o vosso seguro ou os vossos produtos de limpeza, mas há mais acerca do vosso produto de que podem falar, há mais acerca do vosso produto que pode ser tema de história. Não seguir a norma da indústria pode resultar em conteúdo muito mais shareable, porque quem não gosta de uma marca que quebra estereótipos? Mais partilhas = maior exposição = mais possíveis consumidores. Perfeito!
  4. Tenham em mente que a vossa abordagem ao marketing de conteúdos pode levar a algumas críticas
    Ser uma marca “cool” numa indústria enfadonha é, resumidamente, uma questão de se ser ousado, o que pode não agradar a toda a gente. E já devem saber quão fácil é para um utilizador esconder-se por trás de um ecrã e dizer aquilo que lhe apetecer. Mais tarde ou mais cedo, o mais provável é uma situação do género acontecer, por isso garantam que sabem como lidar com feedback negativo.

Casos

Marca: Charmin
Indústria: Papel higiénico

Mais de 1 milhão de gostos no Facebook, mais de 10 mil subscritores no YouTube e mais de 80 mil seguidores no Twitter. Tudo com “humor de casa de banho”. Algumas campanhas da marca:

  • Sit and Squat: uma aplicação que consiste num mapa de casas de banho públicas, em que cada casa de banho tem uma avaliação de “Sit” se for limpa ou de “Squat” se não forem assim tão limpas; e algumas têm até reviews escritas.
  • Músicas no YouTube: com letras como “You’re my Number 1, when I go Number 2” ou “Charmin – you clean so well, my bum can tell”… fica difícil ignorar esta marca.
  • Publicações nas redes sociais, como os da rubrica #TweetFromTheSeat.

Afinal, é papel higiénico… quão séria tem de ser a comunicação?

Marca: Casper Mattress Startup
Indústria: Colchões

O objetivo: tornar-se a Nike da indústria dos colchões. A estratégia: uma presença digital diferente de qualquer outra empresa de colchões.

Marca: HomeLovers e Zurich
Indústria: Imobiliária e seguradora

Uma campanha no Facebook, que abrangeu duas marcas, uma imobiliária que atua na rede social e uma seguradora, e que tinha como objetivo número um promover o produto Lar Seguro (da segunda marca).

  • Uma campanha que consistia em álbuns de fotografias de cada uma das casas, cujas primeiras imagens eram de situações más que poderiam acontecer na casa de qualquer um, como por exemplo, roubo, inundações, incêndios. De seguida duas imagens em que era dado o conselho de fazer um seguro com a Zurich para que a pessoa se pudesse salvaguardar dessas situações e as restantes fotografias eram imagens da casa já segura.

Não se esqueçam: o interesse está nos olhos de quem o vê. Sejam originais, usem o método de tentativa-erro até encontrarem a vossa voz e personalidade e vão ver que é possível fazer campanhas incríveis na internet!