Há uns anos atrás, a maioria dos utilizadores (tal como eu) instalava e desejava experimentar todo o tipo de aplicações. Esta tendência chegou a levar a que a capacidade de memória dos smartphones fosse constantemente levada ao extremo por não permitir a instalação e armazenamento de um grande número de aplicações. Hoje, o paradigma de utilização da tecnologia mobile mudou – a minha preocupação é somente utilizar as aplicações estritamente necessárias para guardar mais espaço para vídeos e fotografias.

Esta mudança de comportamento deve-se a vários fatores e condicionantes. No meu caso, com o novo sistema operativo que agora utilizo, cheguei à conclusão de que é desnecessário instalar aplicações móveis para coisas básicas como saber a temperatura diária, por exemplo. O próprio sistema operativo providencia a informação que procuro quando acha que é relevante. Este envio de informação útil verifica-se em várias áreas, como o trânsito, transportes públicos, saúde, entre muitos outros, demonstrando a evolução dos sistemas operativos e a sua capacidade de interpretar o nosso comportamento e necessidades.

Segundo o engenheiro Donny Reynolds, a enorme oferta de aplicações e a consequente saturação do mercado transformou o ecrã dos nossos smartphones num espaço precioso e extremamente concorrido, levando a que haja uma relutância inerente ao processo de download de uma aplicação nova. A solução passará pelo streaming das aplicações móveis – algo que a Google e a Apple já estão a testar. Esta tecnologia irá eliminar os downloads e utilização de hiperlinks, direcionando o utilizador para a interface que deseja utilizar em determinado momento.

O que é que o streaming de aplicações significa para os utilizadores?

Quase tão inevitável como a inovação é a resistência das empresas a se adaptarem às novas tecnologias – existem várias empresas que não têm interesse em descontinuar ou reestruturar uma aplicação que já tem provas dadas no mercado mobile, preferindo lançar aplicações que complementam as suas plataformas móveis já estabelecidas. Pensemos, por exemplo, no Foursquare e o Swarm ou o Facebook e o Messenger.

Esta descentralização de plataformas obriga os utilizadores a mudar constantemente entre apps, uma das razões principais pela qual deixei de utilizar algumas aplicações. Para utilizadores como eu, que desejam um acesso simples e direto à tecnologia mobile, ter de alternar entre apps e ser obrigado a fazer múltiplas instalações, updates e outros processos morosos são mais do que motivos para nunca chegar a experimentar as aplicações.

É óbvio que, se as funcionalidades de determinada aplicação forem importantes para a minha experiência mobile, não deixarei de a usar. E do ponto de vista empresarial, em alguns casos, faz sentido aumentar o leque de aplicações, pois irá permitir chegar a ainda mais utilizadores e aumentar o lucro através de diversas plataformas com funções diferentes. É precisamente nestes casos que o streaming direto, sem necessidade de passar pelo processo de instalação, vai valorizar este tipo de aplicações, por facilitar a vida aos utilizadores.

Para nós, Designers

Julgo que o nosso desafio, enquanto designers, será bastante incisivo na parte da user experience e em todas as questões relacionadas com a interação entre o utilizador e o sistema operativo integrado. Acredito que o espaço para a criatividade ao nível da navegação será um pouco mais limitado, mas existirá sempre, até porque quanto mais as empresas se esforçarem para construir experiências mobile diferenciadoras, mais inovador será este mercado.

Conclusão

App streaming poderá vir a ser o futuro da distribuição de plataformas mobile, algo que certamente irá reforçar o foco das empresas em criar aplicações distintas e diversificadas, recorrendo, em parte, à criatividade no design.

Não tenho a mínima dúvida de que serão os utilizadores a beneficiar com a nova era sem instalações, caso se venha a concretizar. E eu acredito no seu potencial.