A luta do Google contra anúncios que influenciam a experiência do utilizador de uma maneira negativa não é nova: em abril do ano passado a empresa anunciou que estaria a trabalhar num ad blocker – ou antes, um ad filter – e aconselhou a todos os publishers que repensassem possíveis anúncios intrusivos até ao início de 2018, altura em que a ferramenta de filtragem entraria em vigor no Google Chrome.

Só faz sentido: o mundo da Internet continua a crescer e, a par de tudo aquilo que de positivo traz, vêm coisas menos positivas, como aqueles anúncios que nos fazem querer fechar a página antes sequer de chegarmos a ler o conteúdo em que estávamos interessados. Prova disto é a evolução do uso de ad blockers: desde dezembro de 2015 até dezembro de 2016, aumentou em 30%, de acordo com o relatório de Adblock de 2017 da PageFair.

No entanto, estes ad blockers acabam por não ser a melhor opção, uma vez que bloqueiam todos os anúncios: não só os intrusivos, mas também aqueles que não o são. Por isso, a Google encontrou um meio termo.

Que anúncios vão ser bloqueados, então?

No ano passado, a Coalition for Better Ads (CBA) – um grupo com membros como o Facebook, a Google, a Unilever e a Procter & Gamble, formado com a missão de melhorar a experiência do utilizador com a publicidade online – levou a cabo um estudo com mais de 25.000 consumidores da América do Norte e da Europa, em que analisou uma série de fatores relacionados com a user experience. Com base nesses resultados, chegou a um conjunto de tipos de anúncios que não seguem os seus critérios, para desktop e para mobile. Ei-los:

Anúncios bloqueados em desktop
  • Pop-ups.
  • Vídeos que começam automaticamente e com som quando o utilizador entra na página.
  • Sticky ads demasiado grandes, ou seja, anúncios que continuam visíveis mesmo fazendo scroll na página.
  • Prestitial ads com contagem decrescente: anúncios que aparecem antes de o conteúdo da página carregar.

Anúncios bloqueados em mobile
  • Pop-ups.
  • Vídeos que começam automaticamente e com som quando o utilizador entra na página.
  • Sticky ads demasiado grandes.
  • Prestitial ads com contagem decrescente.
  • Qualquer prestitial ad.
  • Postitial ads com contagem decrescente, ou seja, anúncios que aparecem após o utilizador clicar num link.
  • Anúncios que ocupem mais de 30% da altura de uma página.
  • Anúncios que obriguem o utilizador a fazer scroll para chegar ao conteúdo da página.
  • Anúncios animados em que o fundo, texto ou cores mudam rapidamente.

Imagem: Coalition for Better Ads

Como é que este ad filter funciona?

Resumidamente, os websites são analisados e recebem uma nota: Passing, Warning ou Failing – Aprovado, Aviso ou Reprovado. Receber um Warning significa que existem alguns anúncios que não vão ao encontro dos critérios da CBA e receber um Failing significa demasiados anúncios intrusivos. A Google vai informar-vos dos problemas encontrados e dar acesso à avaliação através de uma API. Depois é dado um período de 30 dias para a situação ser corrigida e, caso isso não aconteça, todos os anúncios no website são bloqueados (sendo que os utilizadores vão ter a opção de desbloqueá-los. Se os vossos anúncios forem aprovados… bom trabalho! 👊

Ir ao encontro dos standards estabelecidos pela CBA não é – ou não deveria ser – uma tarefa de outro mundo; no fundo, aquilo que é pedido é que a experiência do utilizador que encontra o vosso anúncio seja positiva, o que devia, desde logo, ser um objetivo.