Existem designers que fazem a sua carreira em print, outros em digital, e outros fazem-na em trânsito entre estes dois mundos. Tudo é diferente, as dimensões passam de milímetros para pixéis, o que nos deixa um pouco à deriva em relação aos tamanhos que estamos a usar. O CMYK passa para RGB, as cores passam a ser mais luminosas e aquelas paletas de cores de que tanto gostávamos podem agora já não resultar tão bem e ser um choque para a visão.

O toque e os acabamentos especiais do papel desaparecem por completo e passamos a ter animações em botões e transições de ecrã para ecrã. Deixamos de ter artes finais de print e passamos a ter a exportação de assets em web com variadíssimas densidades, tanto para Android como para iOS, o que pode ser bastante confuso de início. Existe ainda o grande desafio da usabilidade, que é crucial, tanto para que o utilizador continue no website/app durante mais do que 3 segundos, como para que ele volte. Tudo deve ser criado a pensar no utilizador e é importante desenvolver um design esteticamente bom, mas plenamente funcional.

Esta nova realidade pode ser um choque para alguém com pouca ou nenhuma experiência; tudo o que é simples pode tornar-se uma “dor de cabeça” e em ansiedade cada vez que se começa um projeto. Desde os programas que estamos habituados a utilizar, como, por exemplo, passar de paginação em InDesign para desenhos de layouts em Photoshop, até às alterações de design para tornar algo responsive. Ou até ter que alterar layouts devido à ordem de importância e às diferentes dimensões e resoluções. Mas esta “passagem” do offline para o online também tem um lado bom: aquelas pequenas alterações que sempre deram muito trabalho, agora passam a ser mais fáceis, bastando fazer a alteração no ficheiro e substituí-lo.

No print qualquer designer que queira fazer o melhor trabalho possível, e executá-lo de uma forma exímia, deve ter conhecimentos de artes finais, do processo de impressão e de todas as restrições que possam fazer parar um projeto. No mundo digital, há quem defenda que o designer deve ter noções de HTML e CSS, para não prejudicar o processo de programação. Mas será que, no mundo digital, teremos mesmo que ter noções tão abrangentes? Será que, no kick-off de cada projeto, falando com o programador sobre as nossas ideias em termos de design, transições e animações, não conseguiremos arranjar uma solução para algo mais inovador, diferente e “fora da caixa”? Se não estamos no mundo do print, devemos aproveitar ao máximo o facto de não haver restrições impossíveis de ultrapassar. O segredo é que toda a equipa dê um pouco mais de si, pegue no que é difícil fazer em digital e torne-o real. Assim, conquistamos um ótimo feedback da parte do cliente e, melhor ainda, do utilizador, que deve ser o principal foco do nosso negócio.

No fundo, apesar de estes dois mundos serem bastante diferentes, também têm as suas semelhanças. O susto inicial é perfeitamente normal, mas não devemos ter medo desta nem de qualquer mudança. Devemos sim, adaptar-nos ao que é novo e trabalhar arduamente para sermos tão bons no mundo digital, como somos no mundo da impressão.